Nota oficial da LABRE sobre transações financeiras nas faixas de radioamador

Nota oficial da LABRE sobre transações financeiras nas faixas de radioamador

A respeito de suposto contato via reflexão lunar relatado em sites especializados aonde teriam sido transmitidos dados de forma a validar ou concretizar operações financeiras por meio de criptomoedas utilizando as faixas de radioamador, a LABRE tem a declarar o seguinte:

  1. A legislação internacional, especificamente as Radio Regulations, RR1-1, item 1.56 da ITU, União Internacional de Telecomunicações (clique aqui para ler), diz taxativamente que as estações do Serviço de Radioamador devem operar “without pecuniary interest”, ou seja, sem interesse pecuniário.
  2. Dada a instância máxima que a ITU exerce no âmbito das telecomunicações a nível internacional, as administrações nacionais dos seus países membros devem seguir suas determinações. Assim, vemos a mesma vedação à utilização com fins pecuniários nos regulamentos de telecomunicações concernentes ao Serviço de Radioamador dos diversos países ao redor do mundo: FCC nos EUA, OFCOM no Reino Unido, ANACOM em Portugal são alguns exemplos.
  3. Por esta razão, a legislação brasileira (Art. 3º da Resolução 449/2006 da ANATEL) é igualmente taxativa quanto à vedação do uso de estações do Serviço de Radioamador para fins comerciais e pecuniários. É importante destacar a utilização dos temos COMERCIAL, aonde o lucro é subjacente, e PECUNIÁRIO, que define explicitamente qualquer uso financeiro ou que envolva dinheiro, mesmo aonde não exista lucro. Isto demonstra cabalmente a vedação ao uso financeiro, seja por qual modo ou por qual motivo for.

É importante afirmar ainda que o caráter experimental do serviço de radioamador não se estende a ponto de poder acomodar o uso pecuniário, mesmo que seja a título experimental e eventual.

Desta forma, em consonância com a legislação brasileira e internacional que é cristalina e pacífica neste ponto, a LABRE CONDENA o uso das faixas de radioamador para validação, concretização ou qualquer outro uso que envolva dinheiro, mesmo que não caracterize o lucro, e RECOMENDA aos radioamadores brasileiros e demais radioperadores que não pratiquem ou participem de qualquer experimento desse tipo, sob pena de sofrer as sanções da Lei.

 

Pesquisa: qual o déficit de exames para radioamador no Brasil?

Pesquisa: qual o déficit de exames para radioamador no Brasil?

A LABRE, de forma a poder apresentar sugestões à ANATEL no tocante ao melhoramento e ampliação da oferta de exames online para COER, iniciou a pesquisa abaixo para que possamos conhecer melhor esta demanda.

Se você pretende tornar-se radioamador ou deseja progredir de classe, pedimos que preencha e envie os dados do formulário abaixo. Também pedimos que esta pesquisa possa ser divulgada e compartilhada o máximo possível para que possamos ter uma ideia precisa da real situação dos exames para radioamador no Brasil.

DX no VHF e UHF em DIGITAL VOICE

DX no VHF e UHF em DIGITAL VOICE

Por Fabio Poli, PY2LY

Inspirado na publicação do QTC ECRA sobre um contato de mais de 700km em 432MHz entre as ilhas de Porto Rico e Curaçao no Caribe, usando o Dstar (link da matéria no final, para quem não leu) e aproveitando essa época oportuna para DX nas bandas altas, vamos aproveitar para buscar DX em Digital Voice, DSTAR, C4FM e DMR. A ideia aqui é comentar umas condições interessantes de propagação em VHF e UHF variando conforme regiões e latitudes, com o desafio de fechar os contatos em DMR ou C4FM ou Dstar.

O O DMR e C4FM se baseiam num Vocoder moderno de Voz em 4FSK com avançado sistema de correção de erro, o que permite conseguir contatos iguais ou melhores do que seria em FM, favorerecendo ainda mais um contato direto a longa distância. A razão, bem simples, é o tipo de modulação e os circuitos de codificação-decodificação mais eficazes que nossos ouvidos.

Mesmo com 5W conectado a um bom sistema irradiante é possível um contato de centenas de km rádio a rádio, sendo um feito mais recorrente do que podemos imaginar. Há aberturas tradicionais e frequentes como contatos entre São Paulo e o Sul.

Existem alguns modos de propagação VHF e UHF que favorecem o DX.  U m deles é a Trans-equatorial que permite DX de mais de 5 mil Km e que deve ter sido o fenômeno que possibilitou esse contato na América Central. A mais comum para DX no Brasil é Troposférica por INVERSÃO TÉRMICA, que é recorrente por todo globo.

Um modo simples de detectar essas aberturas é escanear todos os canais de Repetidores tanto em analógico como em DV, de preferencia entre as 20hs até umas 9hs do dia seguinte, quando poderá receber repetidores VHF e UHF de outros Estados e assim combinar contatos ponto a ponto em FM, SSB e Digital Voice.

O QUE É A INVERSÃO TÉRMICA?

O normal na Troposfera é que a camada de ar quente fique embaixo devido ao aquecimento do solo pelo sol durante o dia, acumulando essa massa de ar na parte baixa. À medida que nos afastamos do solo em altura, a temperatura vai caindo, até uns 12km.

A inversão térmica é quando esse ar quente menos denso sobe e o ar frio desce ao solo, formando uma camada de ar quente menos denso entre duas camadas frias, o que costuma ocorrer no início da madrugada até as primeiras horas da manhã, às vezes permanecendo por dias, principalmente no inverno.

Sabe quando estamos na estrada sob forte calor e vemos longe o asfalto espelhado como água, ou as famosas miragens no deserto? Isso acontece porque o ar rente ao asfalto fica extremamente quente e pouco denso, o que faz com que ele acabe espelhando o céu. Em VHF e UHF o efeito é o mesmo quando ocorre inversão térmica, só que imaginando o plano invertido com ar menos denso em cima formando um duto de visada entre as camadas frias.

Esse duto por vezes faz o sinal navegar com a eficiência de uma visada direta, possibilitando acionar Repetidores distantes até de HT com a própria antena principalmente em UHF e contatos ponto a ponto de centenas ou milhares de KM, similar aos contatos espaciais de centenas de quilômetros com miliwatts.

Uma abertura muito comum é entre SP e Paraná, por vezes se estendendo a Sta. Catarina ou Rio Gde do Sul, no caso pelo efeito de inversão térmica que também ocorre em várias partes do Brasil principalmente quando há deslocamentos de massas de ar polar ou frio.

Um fenômeno interessante é que, sempre que SP consegue contato com o sul, podemos prever que logo chegará uma massa de ar frio proveniente do sul baixando a temperatura em SP. Outro fato é que a camada de AR Frio que desce costuma trazer junto a poluição, sendo também um indicador desse fenômeno. Enfim, se a previsão do tempo indicar que entrará uma massa de ar frio, se preparem para conseguir um contato especial.

No DMR muitos países têm adotado as frequências de 145.510, 145.790 e 433.450 MHz, Color Code 1 e TG99 para chamados rádio a rádio. A vantagem de um padrão internacional é de facilitar inclusive contato com países vizinhos sendo recomendado adotarmos esses parâmetros no Brasil. Para contatos do dia a dia podemos usar qualquer frequência conforme o Ato 9106/2018 da ANATEL.

No C4FM System Fusion encontrei algo citando 147.525 e 146.780, nada sobre UHF. Essas acabam conflitando e se vale uma sugestão poderiam ser usadas 145.530 e 433.470, mas fica a decisão a cargo dos utilizadores. O mesmo ocorre ao Dstar que pela falta de definição poderiam ser definidas 145.550 e 433.490, assim ficam faceis de conciliar entre os modos.

A experimentação, o aprendizado e os desafios fazem parte do radioamadorismo. Que tal aproveitarmos essa época do ano propícia a propagação em VHF, e principalmente em UHF, para fazer história registrando contatos DX rádio a rádio em Digital Voice?

Forte 73 de Fabio Poli PY2LY

LINKS INTERESSANTES:

LABRE participará de rede internacional de beacons em WSPR

LABRE participará de rede internacional de beacons em WSPR

Por Edson Pereira, PY2SDR

A LABRE recentemente foi convidada pelo Radioamador Roland Gafner, HB9VQQ, para participar de uma rede internacional de beacons sincronizados operando no modo WSPR (Weak Signal Propagation Reporter) – modo desenvolvido pelo Radiomador Joe Taylor, K1JT, com o objetivo de estudo de propagação em HF em condições de sinais extremamente fracos.

O modo WSPR implementa um protocolo projetado para sondar caminhos de propagação usando transmissões em baixa potência. As transmissões contém o indicativo de chamada da estação transmissora, o localizador (QTH locator) e a potência do transmissor em dBm. A decodificação pode ser feita através do software WSJT-X, que permite decodificar sinais com uma relação sinal-ruído tão baixa quanto -34 dB em uma largura de banda de 2500 Hz. As estações com acesso à Internet podem enviar automaticamente seus relatórios de recepção para um banco de dados central chamado WSPRnet, que inclui recursos de busca e mapeamento.

A LABRE pretende participar do projeto com a implementação de um beacon operando inicialmente nas bandas de 80, 40, 20, 15 e 10 metros. O beacon transmitirá com uma potência de aproximadamente 23 dBm (200 mW). O projeto permitirá observações e estudos de propagação em HF, atividades educacionais com escolas na montagem de receptores para recepção dos sinais, entre outros projetos.

O planejamento e coordenação do projeto ficará a cargo do Radioamador Edson Pereira, PY2SDR.

LABRE reúne-se com ANATEL sobre provas online

LABRE reúne-se com ANATEL sobre provas online

Por Edson Pereira, PY2SDR e Alisson Teles, PR7GA

A ANATEL solicitou neste mês de maio uma reunião com a LABRE para dialogar sobre a realização das provas online, já que enfrenta problemas para atender à grande demanda de pessoas de todo o país que desejam tornar-se radioamadores ou progredir de classe. A ANATEL mencionou que conta com poucos examinadores, bem como limitações técnicas na plataforma de aplicação das provas online, o Microsoft TEAMS, que impede de avançar mais no atendimento desta demanda.

A reunião ocorreu de forma remota no dia 19/05/2021, contando com a presença de dirigentes da ANATEL e da LABRE.

Durante a reunião, a LABRE comentou que, além do problema do número pequeno de agendamentos e realizações das provas, existe um outro problema, ainda mais sério, com a atual complexidade e morosidade nos vários sistemas para o licenciamento de estações, o que tem causado muito estresse e frustração aos candidatos – a ponto de provocar a desistência de obterem seus indicativos ou licenciarem suas estações. A LABRE apresentou várias observações sobre este processo, que tem sido longo, extremamente complexo e burocrático.

A ANATEL propôs um mutirão para realização de provas e a LABRE se colocou à disposição em auxiliar na iniciativa, incluindo na aplicação das provas online ou até mesmo presenciais, se for o caso. A sugestão será apresentada ao Conselho Diretor da LABRE na próxima reunião do CD em 10/06 para apreciação.

A LABRE também comentou sobre a necessidade da revisão da Resolução 449/2006 e da revisão do conteúdo das provas para se adequarem melhor à realidade atual do radioamadorismo. A ANATEL respondeu que a revisão da principal normal que rege o radioamadorismo brasileiro está sendo trabalhada e a revisão das provas será tema de trabalho em futuro próximo.

Novas reuniões serão realizadas em breve e a LABRE divulgará os resultados dos temas tratados assim que possível.