160 anos do nascimento do Pe. Landell de Moura, inventor do rádio

160 anos do nascimento do Pe. Landell de Moura, inventor do rádio

As comunicações via rádio são talvez a descoberta mais marcante do século passado, a mola-mestra que impulsionou o desenvolvimento de inúmeras tecnologias hoje corriqueiras. Os radioamadores, mais que quaisquer outros grupos que labutam na área, têm uma relação fraternal e passional com as ondas hertzianas. Esta relação com a radiofrequência é o que tem nos movido desde que o primeiro experimentador começou a explorar aquelas estranhas e revolucionárias ondas, há mais de 100 anos.

Aqui no Brasil, o trabalho do religioso, cientista amador e inventor Roberto Landell de Moura é tido como pioneiro por muitos pesquisadores, ainda que seu nome permaneça relativamente desconhecido do grande público, lamentavelmente.

Eleito e declarado como o Patrono do Radioamadorismo Brasileiro desde o dia 25 de Setembro de 1981 pelo então Conselho Federal da LABRE, Pe. Landell, como é conhecido, permanece para nós como o verdadeiro inventor do rádio, a partir de suas experiências realizadas no final do século 19.

A primeira demonstração pública de seus inventos ocorreu no dia 3 de junho de 1900, tendo como testemunhas o cônsul britânico em São Paulo, Percy Charles Parmenter Lupton, mais autoridades brasileiras, empresários e populares, “as quais foram coroadas de brilhante êxito”, conforme noticiou o Jornal do Commercio. No ano seguinte, conseguiu a primeira patente de seu invento, rumando em seguida para os EUA, aonde passaria os quatro anos seguintes. Lá também registrou patentes de seus inventos.

Apesar das demonstrações feitas com sucesso, ao retornar ao Brasil ele não conseguiu sensibilizar as autoridades para reconhecerem suas descobertas, vítimas do obscurantismo e de falta de conhecimento do que estava sendo feito pelos cientistas em outros locais do mundo na recém descoberta área das telecomunicações sem fio.

Desiludido, o padre Landell de Moura abandonou suas pesquisas e dedicou-se somente à vida religiosa a partir daí. Ele faleceu no dia 30 de junho de 1928, vítima de tuberculose, em Porto Alegre, RS.

Nos anos seguintes ele permaneceu no anonimato. Porém, aos poucos, seu legado vem sendo redescoberto e sua história reconstruída e divulgada. Além dos radioamadores, que têm nele o seu Patrono, muitas pesquisas acadêmicas têm sido desenvolvidas em torno de sua vida e obra e livros têm sido publicados, o que tem contribuído para que o nobre padre-cientista seja cada vez mais conhecido em nosso país.

Neste dia 21 de Janeiro de 2021, a LABRE homenageia nosso Patrono pelos seus 160 anos. Embora sua presença física já nao esteja entre nós, sua vida e sobretudo o seu legado permanecem vivos em nossa memória.

Viva, Padre Roberto Landell de Moura!

Apresentamos em seguida um documentário produzido pela TV Senado há alguns anos denominado “Padre Landell, Fé na Ciência”, de conteúdo inestimável:

Para maiores informações, consulte os sites sugeridos abaixo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Landell_de_Moura
http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/perfil-por-guilherme-landell-de-moura/
https://diariodocomercio.com.br/economia/landell-antecedeu-marconi/
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/01/landell-de-moura-os-160-anos-do-padre-cientista-gaucho-que-inventou-o-radio-ckjvkjeiw000g017wmk7ui9y3.html
https://agencia.fapesp.br/quem-inventou-o-radio/5636/
http://ps7dx.qsl.br/pe-landell-nosso-patrono/

 

Roberto Landell de Moura em Cordel

Roberto Landell de Moura em Cordel

Cordel de José Franklin

Roberto Landell de Moura – Patrono dos Radioamadores do Brasil

Agradeço a Deus por me
dar a oportunidade
de escrever cordéis sobre
as forças da humanidade
e a disposição de
de apurar indignidades.

Fico triste ao saber da
vida de certas pessoas
que parece que o Divino
com um dote abençoa
mas com o tempo a desgraça
ao seu lado se amontoa.

Tenho a impressão que até
para isso são imantados
levam o viver sem os
objetivos alcançados
e na velhice terminam
como uns pobres coitados.

Resta a eles um consolo
seguir em frente e tentar
deste modo vão vivendo
sem nunca desanimar
desistir de alguma coisa
nem param pra pensar.

Sobre um alguém assim
que escrevo este cordel
trata-se do cientista
gaúcho Padre Landell
Roberto Landell de Moura
como está no papel.

Nasceu em Porto Alegre
em um oito meia um
e em oitenta e seis
já era um Padre comum
sua formação em Roma
não tirou sonho nenhum.

Lá fez os estudos de
Física e Eletricidade
formado volta ao Brasil
mas escolhe outra Cidade
Rio de Janeiro é onde
exerce a brasilidade.

Junto ao Imperador do
Brasil Dom Pedro Segundo
sustenta vários diálogos
científicos e fecundos
logo depois abandona
a Corte saí pelo mundo.

Ou melhor pelo Brasil
a serviço da Igreja
porém dentro do espírito
dele a ciência lateja
uma vida leve e digna
para todos ele almeja.

Percorrendo o País
passa por várias Cidades
plantando sabedoria
também Bíblicas verdades
e quando há necessidade
faz algumas caridades.

Investindo parte do
tempo livre em estudos
e quase se transformando
em um mestre sabe-tudo
estranha visão aquele
Padre alto magro e ossudo.

Daqui pra frente é muito
difícil de acreditar
qualquer um dos fatos que
este cordel vai narrar
como pode um homem só
tanta coisa inventar.

Montou um laboratório
pra pesquisas em ciências
com critério começou
a fazer experiências
era dedicado e tinha
também muita paciência.

Mas sabem que a inveja
e o obscurantismo
caminham lado a lado
cavucando um abismo
que seja dentro ou mesmo
fora do catolicismo.

Ele falou com pessoas
do tipo que não confio
que ia se comunicar
com outros povos sem fio
foi como se dessem a elas
uma bomba e um pavio.

E ficou faltando apenas
o fósforo no relatório
totalmente destruído
ficou o laboratório
nosso Padre ficou triste
vivendo este purgatório.

Com a grande dificuldade
continua as pesquisas
mantém a integridade
pois se descapitaliza
porém a conclusão de
uns projetos agiliza.

A novidade é que usa
a luz como transmissor
aprendeu tudo sozinho
foi seu próprio professor
e tinha tempo pra ser
dos fieis um confessor.

Mas esta pari passu
com alemão ou italiano
e em grande dianteira
de qualquer americano
porém a rejeição no
Brasil lhe causava dano.

Acabou se transferindo
para os Estados Unidos
queria patentear
e ser mais compreendido
conseguiu o seu intento
mas voltou bem abatido.

Seu Transmissor de Ondas
se encontra lá registrado
o Telégrafo Sem Fio
por ele patenteado
e também o Telefone
Sem Fio hoje muito usado.

Isto mesmo eu estou
falando do celular
tudo está documentado
e bem fácil de provar
difícil é o Governo
Americano aceitar.

Voltou e foi procurar
no Brasil o presidente
e isto o deixou contente
queria apenas uma
verba para ir em frente.

Pediu também para usar
dois navios da Marinha
ia se comunicar por
rádio sem fio nem linha
porém deparou com uma
autoridade mesquinha.

Ele tentou explicar
pra aquele barnabé
que falar com outros mundos
nem precisava de fé
desistiram do apoio
e tomou um pontapé.

Tiram Roberto Landell
de Moura como maluco
conversar com as estrelas
era coisa de caduco
e a partir daí viveu
quase como um eunuco.

Se dedicando somente
ao lado espiritual
pesquisando a alma que
considerava imortal
investigou isto com
zelo até seu final.

Achava que nosso espírito
poderia ser visível
e que um dia separá-lo
do corpo será possível
claro que a experiência
mostrar seria temível.

Então ele trabalhava
sem alarde no seu canto
deu o nome do espectro
do corpo de Perianto
sempre muito quietinho
para não causar espanto.

Até a aura da alma ele
conseguiu fotografar
o leitor do cordel vai
dizer que estou a divagar
que as teorias de um
louco estou a relatar.

Existe o Método Kirlian
que é uma fotografia
tirada das mãos ou dedos
muito usada hoje em dia
que veio do exterior
e ninguém faz zombaria.

Entretanto se ela fosse
chamada Método Landell
e até não tivesse vinda
de um estrangeiro cartel
duvido que encontrasse
aqui usuário fiel.

Passou seus últimos dias
a tristeza escondendo
por muitas e muitas vezes
sentiu o coração doendo
vendo o sonho de um Brasil
vencedor se desfazendo.

Digo com certeza que este
tema lhe tirava o sono
de ver nosso País com a
Ciência no abandono
mas os radioamadores
hoje o Padre é Patrono.

E também é respeitado
pelos técnicos da Nação
quem lida com eletrônica
lhe mantém a admiração
que no porvir reconheçam
toda sua criação.

José Franklin é autor de dezenas de cordéis, livros, reportagens e participou da XX Antologia da Academia Brasileira de Cordel, em 2013; do Tributo a Manoel Monteiro, em 2014, pela ABLC; e do texto em cordel para a abertura do vídeo Gonzagueando, feito pelos alunos do Curso de Vídeo Digital da Praça do Conhecimento.

Por hoje ficamos por aqui com este excelente trabalho do nosso dileto amigo JOSÉ FRANKLIN.

Forte abraço.
Ivan Dorneles Rodrigues – PY3IDR
Site: www.memoriallandelldemoura.com.br